Nome: Pessoas Normais não têm nada de Especial (As)

T.Original: Les Gens Normaux n’ont rien D’exceptionel - França, 1992 (V.O.)

Tempo: 103 minutos- M/ 16 anos

Tipo: Drama. Normal, colorido

Real.: Laurence Ferreira Barbosa

Música: Cesária Évora

Fotog.: Antoine Herbelle

Com: Valeria Bruni-Tedeschi, Mervil Poupard, Marc Citti, Claire Laroche e Frederic Diefenthal Assunto: Após a ruptura com o namorado, Martine, uma parisiense, não aceita esse afastamento, caindo numa vivencia que a leva a um estado mental precário e a um caminhar para um abismo individual. NOTAS:

José Navarro de Andrade
Público, Fim de Semana, 10/06/94

A desordem é o mais difícil de filmar porque obriga a um domínio superlativo do cinema para que não se torne na própria desordem narrativa. É porque tem consciência disso que Laurence Ferreira Barbosa está sempre de pé atrás. Não há um plano neste filme cuja composição não queira esconder o trabalho de composição, não há um momento em que as imagens se desprendam do realismo mais chão, todavia tudo isto se explica como uma declarada intenção da realizadora quando em determinada altura vimos Valeria Bruni-Tedeschi ao longo de um corredor e os planos que a filmam serem deliberadamente mal colados. Parece Cassavetes mas não é, porque Laurence Ferreira Barbosa apropria-se da sua forma mas não daquele sentido de vivência que nos filmes do americano nos desabava no olhar. "As Pessoas Normais..." é assim uma lição bem estudada e uma técnica bem dominada mas falta-lhe o essencial: fazer-nos sentir que estamos perante algo mais do que uma ideia de loucura encenada pela câmara e pelos actores, falta-lhe colocar-se nos limites da sua proposta e dar-nos a ver o risco de estar pendurada no abismo do desastre sem nunca escorregar para o lado de lá. E quem quer ir por este caminho tem que incorrer em semelhante loucura.

Boletim nº. 1885 do
Secretariado do Cinema e Audovisuais

Primeira longa-metragem de uma cineasta francesa ainda jovem, de remota ascendência portuguesa, "As Pessoas Normais..." é um olhar de desencanto sobra a vida actual e, em particular, sobre as relações da (e na) sociedade moderna. A cineasta procura, através de um percurso atribulado de uma rapariga em ruptura consigo e com o mundo, uma análise às dificuldades que a juventude encontra para, na actualidade, cimentar uma vida com objectivos definidos e individualmente sugestivos. É um olhar amargurado, repleto de vicissitudes duras e, principalmente sem respostas adequadas pelas instâncias e organizações de índole social.
Laurence Ferreira Barbosa mostra ter valor, conseguindo que o seu filme seja equilibrado, mesmo tratando um tema difícil, dando com naturalidade a imagem de um mundo que não estando balizado por contornos normais, explica e critica um outro universo muito mais global.