Nome: Monstro

Nom: Il Mostro ou Le Monstre - Itália / França, 1994

Tempo: 98 minutos - M/ 12 anos

Tipo: Comédia . Normal, color.

Real.: Roberto Benigni

Música: Evan Lurie

Fotog.: Carlo Di Palma

Com: Roberto Benigni, Michel Blanc, Dominique Lavanant e Jean-Claude Brialy

Assunto: A polícia confunde um pobre diabo com um perigoso «serial killer», resultando do facto uma série de situações equívocas.

NOTAS:

M. Cintra Ferreira
Expresso, Cartaz, 26/08/95

Entre o burlesco e a fantasia, Roberto Benigni surge com um novo filme que alia a tradição da comédia italiana (no seu caso, mais o universo de Totó do que a sátira de costumes) com o burlesco americano. Se há uma evidente referência chaplinesca, ela manifesta-se apenas no poético final do par que se afasta pela estrada na mais singular das posições corporais.O seu humor vem mais do absurdo dos irmãos Marx, revisto com olhos italianos. Mas devemos também referir a marca menos citada de Jerry Lewis. Ele está "presente", não só nesse mesmo final (é tão lewisiano como chaplinesco), mas também, e principalmente, na forma como o seu corpo se "transforma" e espalha o caos à sua volta, para além da própria exploração do tema do duplo e do personagem do assassino. Nos seus filmes, Nichetti tem vindo a expor-se em várias personagens, como Jerry. Se em "O Monstro" se trata apenas de um engano de identidade, o princípio permanece o mesmo. Tudo mostra que há muito a esperar de Roberto Benigni, como autor e personagem de cinema.

José Navarro de Andrade
Público, Zap, 19/08/95

"O Monstro" foi o fenómeno italiano dos últimos anos, uma comédia que em Itália foi vista por mais espectadores - seis milhões - que "Jurassic Park". O realizador/intérprete principal é Roberto Benigni, figura importante do espectáculo italiano, "criatura" que Federico Fellini admirava ("As Vozes da Lua") e que Jim Jarmusch foi buscar para "Down by Law" e "Night on Earth". Em "O Monstro", Benigni é um homem tímido e lunar, um inadaptado cujo comportamento visto do exterior tem a aparência do que é monstruoso. É a forma de o realizador/actor equacionar a tradição do burlesco de que é herdeiro - Chaplin, evidentemente, mas também o burlesco europeu, de Tati a Totó, passando por Louis de Funés - , confrontando-a com os novos tempos, aqueles em que um corpo, sobretudo o de um comediante, já não pode ser inocente.