A Land Art foi reconhecida como a mais "suportada" das
inspirações artísticas. No final dos anos 60, um numero de artistas iniciou fora das quatro
paredes da galeria uma série de criações no deserto e montanhas do Nevada, Utah, Arizona e
Novo México. A Land Art deixa os espaços comuns de exposição como a galeria, o atelier
e o museu para "investir no planeta". Renova a noção de exposição: uma experiência
real e intransponível, representada em vastos espaços, como a montanha, o mar, o deserto e o campo,
para uma maior liberdade criativa.
A Land Art foi (re)entendida como uma inspiração para
os melhores artistas dessa época, o que resultou em algumas das mais surpreendentes e "díficeis-de-ver"
obras de arte. Os artistas escolheram entrar eles mesmos na paisagem. Eles não representavam a paisagem,
eles fundiam-se com ela; a sua arte não era simplesmente sobre a natureza, mas dentro dela. Não foram
os primeiros a interessar-se pela terra, a Arte Povera também utilizou a "terra" nas suas composições,
no entanto, os "Land Artists" apresentam-na num estado mais puro e bruto. As denominações
Land Art (arte da terra) e Earthworks (trabalhos em / sobre a paisagem) aludem a um certo tipo de obras que têm
como suporte a própria natureza, a paisagem exterior.
Os "Land Artists" usavam escavadoras e caterpillers para
criar buracos na terra ou para construir largas rampas. O resultado foi uma enorme expansão da arte, na
sua paisagem, na qual a formação da terra, o horizonte, o tempo e a erosão transformaram-se
em verdadeiros materiais. . Os "Land Artists" aceitam os fenómenos atmosféricos, que enchem
os fossos e esbatem os contornos cuidadosamente marcados, como parte integrante da obra. Desejam criar sem fabricar,
e simultaneamente alertar para a precariedade de recursos naturais. O interesse destas realizações
não é efémero, de um só gesto. Na Land Art a obra só se completa após
a sua destruição, eternizando-se com arquivos fotográficos, que testemunham a sua evolução
e decomposição.
Em espaços nus e desertos, ninguém poderá adquirir
as suas obras nem lhes poderá atribuir uma cotação. Numa sociedade de hiperconsumo e de desenvolvimento
industrial incontrolado, estes artistas recusam-se a criar objectos como "dama de companhia" de outros
objectos.
Os seus círculos e espirais, tão característicos,
são mais que uma expressão colossal da Arte Minimal. A projecção de uma atmosfera romântica
associada ás órbitas cósmicas, os cultos de Fé e os rituais num espaço, a disseminação
de um vasto panorama de imagens, tudo isto toca, de certa forma, na Land Art. Assim como os pintores da Landscape
do século XVIII e XIX, - David Friedrich, John Constable – evocam constantemente os círculos megalíticos,
estruturas indianas calendarizadas, pictogramas dos Peruvianos, entre outros.
A presença física de Michael Heizer, Robert Smithson,
Walter De Maria, Robert Morris na natureza distingue-os dos outros comuns artistas. O envolvimento na paisagem
é ainda mais profundo: a maior parte dos seus trabalhos estão estritamente ligados com os sítios.
A força primordial do cenário, o desnudar das camadas geológicas, a exposição
para a erosão e clima, o envolvimento corporal de humanos em profundidades artificiais monumentalizaram
as suas obras, que viajam entre a história natural e a arte. Estes não são discretos, entendidos
como representações isoladas, mas totalmente relacionados com o ambiente circundante - uma experiência
inimitável, vivida nos espaços da galeria através de fotografias, mapas, documentos escritos.
Embora os artistas rejeitem o espaço físico da galeria,
o que acontece de facto é que a Land Art, como todas as formas avant-garde activas, continua dependente
do museu. Richard Long encontrou uma solução para este problema: a importação de elementos
naturais para dentro da galeria - Vermont Georgia South Carolina
Wyoming Circle, e Robert Smithson desenvolveu a teoria que
relacionava a localização particular de um ambiente - o sítio - com os espaços anónimos
e intercomplementares das galerias – os non-sites.
Na mesma esfera, embora num outro extremo, aparece-nos Christo e
Jeanne-Claude, no seu trabalho interventivo na Landscape e, maioritariamente, na Cityscape. Nesta última,
o seu trabalho, fisicamente efémero, envolve obrigatoriamente o social, tendo como resultado permanente
a sensibilização comunitária e uma possível memória colectiva.
Em 1979, o crítico Rosalind Krauss propôs um entendimento
racional, uma solução para a desmesurada proliferação da(s) arte(s). Baseando-se no
campo extensivo de Morris, Krauss escreve que a Land Art poderia ser melhor definida como não sendo nem
paisagem nem arquitectura. A sua inter-relação com as Instalações e a Environmental
Art começou a fazer sentido. O conceito base foi-se transformando e adaptando, alterando a essência
filosófica deste movimento - "Na Natureza nada
se perde (…) tudo se transforma".
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