Um Postscriptum Que Merece Registo
Estabelecimento do Serviço Amsterdam / Porto / Lisboa e Vice-Versa
pelo Cap. F Lemos da Silveira
Num artigo com o título "Linha de enlace da KLM 1 Estabelecimento do serviço AmsterdamIPortolLisboa e vice-versa" publicado no nº 48 (Dezembro 1992) desta revista, tratámos em pormenor da abertura e funcionamento dessa carreira bissemanal da KLM, de indiscutível valor dado que facultava o encaminhamento via Amsterdam das malas-avião (portuguesas e em trânsito) endereçados a países europeus - e também a re-expedição em Lisboa das correspondências originárias dos mesmos países destinadas às Américas, pelos Clippers da PAN AMERICAN.
Depois de apresentados os resultados da investigação efectuada, e mostradas quatro peças-chave - o que por vezes esclarece mais do que as palavras - parecia que tudo estava visto e explicado.
Parecia mas, afinal, o tema não se encontrava esgotado - e merecia mais
Realmente há muito mais, como verão.
Há relativamente pouco tempo tivemos o ensejo de encontrar e adquirir duas cartas em que os sinais de curiosidade eram mais que muitos.
Uma das coisas mais interessantes destas peças - retratadas nas figuras 1 e 2 - é sem dúvida o carimbo de partida.
HORTA 7ABR.40
Da mesma forma, a marca de trânsito em Lisboa, datada 8.4.40.6H. (no verso), assim como as de chegada aos destinos, Porto 9-4-40-10 H bem visível no anverso, e Amsterdam 10.IV]940-10 H., aparentemente insignificantes, são fundamentais para entender a casualidade.
A isto temos de acrescentar as imperativas menções dactilografadas "Prinwiro Vôo Açores-Porto (ou Açores-Amsterdam) Pela Companhia Holandeza KLIW'.
É um conjunto de informações que, permite, desde logo, perspectivar que o hidro da PAN AMERICAN deve ter chegado atrasado a Lisboa (7 Abril) e, por conseguinte, as correspondências oriundas de New York e da Horta perderam a conexão ao primeiro voo Lisboa/Porto/Amsterdam da KLM, que havia tido lugar em 5 Abril, e visto isso seguiram só no segundo serviço (8 Abril).
Tratava-se sem dúvida duma conjectura muito credível, a merecer uma pesquisa complementar - e concludente.
Figura 1
Chegámos, assim, ao ponto nevrálgico: saber qual a razão de tal atraso.
Fomos apanhá-la nos jornais da época.
Entre eles, o "Diário da Manhã" na sua edição de 6 Abril publicou uma notícia perfeitamente esclarecedora:"Com atraso, devido ao mau tempo no Atlântico Norte, deve amarar amanhã, pelas 18 horas, na base aero-naval de Cabo Ruivo o Yankee Clipper".
Logo, não resta agora a mínima suspeição.
Trata-se dum caso típico de interrupção do voo / atraso do correio / perda do enlace.
Tudo por causa dum temporal no Atlântico.
Para terminar, vamos dar meia volta e voltar atrás à procura dumas anotações a lápis que se encontram no verso dos dois sobrescritos.
No Horta-Porto lê-se "3/30", o que, na sinalética particular do saudoso Sam Bayer, significava "sobrescrito nº 3 dum lote de 30".
Que é como quem diz: 30 peças transportadas.
Figura 2
E no Horta-Amsterdam "4/20" - portanto 20 peças transportadas.
Peças filatélicas muito raras, está bom de ver.1
