Actuação dos Militares Portugueses em Timor

9 Março de 2000

Armas e droga apreendidas por soldados.

Os soldados portugueses prenderam hoje um indivíduo e apreenderam uma quantidade indeterminada de droga e armas, enquanto um navio de refugiados, que chegou ao porto de Díli vindo de Timor Ocidental, era revistado.
Entre os refugiados viajavam alguns timorenses armados, um dos quais transportava duas granadas, uma espingarda de pressão de ar e um pacote com uma quantidade, ainda não definida, de haxixe.
A apreensão dos estupefacientes só ocorreu depois de encontradas as armas, levando os soldados portugueses a estender a busca a toda a embarcação.
Fontes militares, citadas pela Lusa, dizem que pouco antes da revista dos soldados alguns dos refugiados atiraram ao mar um número indeterminado de embalagens.
Até ao momento, o indivíduo detido encontra-se na polícia civil da ONU, no centro de detenção de Díli.
Esta foi a primeira apreensão do género realizada desde o estabelecimento dos serviços de fronteiras e de alfândega.

30 de Abril – 2000

ONU detém ‘arruaceiros’ em Díli.

As detenções resultaram da primeira fase da operação policial destinada a encontrar os responsáveis pelos confrontos iniciadod no estadio de Dili.
Dezenas de efectivos da força de intervenção rápida da GNR e da polícia civil estão envolvidos nesta acção, montada durante a noite junto mercado de Becora.
Os militares procuram os dirigentes de dois grupos rivais no labirinto de barracas junto ao mercado da capital timorense.
Os jovens do mercado, munidos de catanas, ferros, foices, forquilhas, paus, pedras _ tudo o que possa aleijar um ser humano _ iniciaram a pancadaria.
Quando chegou a primeira patrulha da GNR e outra de pára-quedistas portugueses, o ambiente estava descontrolado.
A cena prolongou-se até às 22 horas.
Às 22 e 20, os homens da GNR colocaram as máscaras de gás e avançaram em passo de corrida.
Os “malabaristas” pareciam evaporar-se. Pelo chão ficaram catanas, paus, chinelos, sapatos, sandálias.
Pelo caminho foram apanhados alguns. Depois, os homens da GNR avançaram até ao mercado, que tem vindo a alastrar até à rotunda da Telekom. Nasceu ali um novo bairro, praticamente. As barracas de venda de produtos são as suas casas. Os homens entraram pelas barracas e revistaram todos os que se deixaram apanhar _ nove, no total.
Enquanto Xanana Gusmão e Vieira de Mello reuniam em plena rua, junto à casa de Xanana – a cerca de 800 metros do mercado – os militares e agentes da GNR planeavam outra ofensiva. Agora era preciso ir buscar os agitadores a suas casas.
A operação de limpeza não teria, contudo, grandes resultados. Bem perto do mercado, uma casa considerada suspeita de albergar um grupo de agitadores foi cercada. Mas chegaram primeiro os camiões da ONU com todo o ruído.
Quando a GNR abriu o portão da casa e entrou de rompante, só apanhou o dono da casa, suspeito de ser um dos mentores e que seria detido prontamente.
Pela meia-noite e meia, depois desta operação sem grandes resultados, os homens desmobilizaram.
Mantiveram-se em espera dentro dos carros, junto ao estádio. Em tensa expectativa, madrugada fora.

11 de Maio de 2000

Rixa em Díli provocou dois feridos e intervenção militar Portuguesa colocam fim a conflito junto ao mercado.

Duas pessoas foram detidas e um jovem ficou ligeiramente ferido durante uma pequena rixa entre dois grupos nas traseiras do mercado de Díli durante a tarde de ontem, motivando a intervenção de militares portugueses.
A rixa começou durante a tarde nas traseiras do mercado, junto à sede do comando do sector central da força de paz da ONU, onde se encontra o contingente português.
Residentes na zona informaram que o incidente começou cerca das 16 e 30 locais (9 e 30 em Lisboa) com um pequeno grupo de jovens.
O mesmo timorense confirmou que efectivos de segurança, incluindo militares portugueses e agentes da polícia civil da ONU, foram ao local, tendo um deles disparado um tiro para o ar para dispersar os grupos envolvidos nos confrontos.
Durante os incidentes, um jovem identificado apenas por Francisco foi ferido com uma catanada na cabeça, tendo sido transportado para o Hospital de Díli por militares portugueses.
Apesar de “alguma intensidade”, os confrontos resolveram-se rapidamente depois do tiro para o ar, tendo um residente local informado que dois jovens foram detidos e transportados pela polícia civil da ONU.
Uma fonte militar portuguesa confirmou à Lusa terem transportado o ferido para o hospital central de Díli.

3 Outubro 2000

Dois militares portugueses morrem em queda de helicóptero.

Dois militares portugueses morreram hoje na queda de um helicóptero, junto da localidade de Same, em Timor Leste.
O aparelho despenhou-se quando se preparava para aterrar.
Os restantes três militares portugueses que seguiam a bordo do helicópetero estão fora de perigo. O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas confirmou há poucos momentos, em directo na RTP1 que o helicóptero se despenhou no momento em que se preparava para aterrar em Same, num terreno inclinado, que fez com que as hélices tenham colidido com o solo, originando uma explosão no motor.
Por seu lado, o Ministro da Defesa Nacional, Castro Caldas disse que “a causa do acidente ficou a dever-se “, na sua opinião, ” a uma pura casualidade.
Castro Caldas frisou ainda que todo o país está de luto “pela morte de doffs filhos no desempenho de uma missão humanitária” a que confirma que os três outros militares portugueses que seguiam a bordo não apresentam ferimentos.

3 Novenbro 2000

Miliciano armado capturado por soldados portugueses

Um miliciano armado foi hoje detido por soldados portugueses depois de se teri entregue a habitantes da região de Same, que está sob responsabilidade de militares de Portugal integrados na força de paz da ONU.
O porta-voz do contingente português, o capitão Pedro Dias, ouvido pela Lusa, confirmou que o elemento da milícia, que ainda não pode ser identificado, se entregou à população da aldeia de Riamori, a cerca de onze quilómetros a nordeste de Same.
Houve vários contactos com a população da aldeia, que confirmou que ele se deslocava lá regularmente para se encontrar com a mulher, que ali vive, a para it buscar comida”.
“Depois de mais contactos conseguimos que a população o convencesse a entregar-se a ele acedeu, tendo hoje sido entregue a soldados portugueses pelos habitantes de Riamori”, acrescentou.
Armado com uma espingarda SKS, normalmente usada pelas forças armadas indonésias, e com mail de 120 munições, o timorense fazia parte de um grupo que cntrou na zona de Same em Agosto último. Depois de todos os restantes elementos do grupo se terem retirado da zona, seguindo para o sector oriental de Timor-Leste, este timorense continuou sozinho na região.
Actualmente sob custódia do batalhão português em Same, o timorense deverá ser transferido para Díli no sábad,. sendo posteriormente entregue à polícia civil da ONU que fará as investigações necessárias antes de eventualmente o apresentar ao juiz do tribunal da capital.

14 Novembro 2000

Jovens apedrejaram agentes de segurança em Díli.

Jovens timorenses apedrejaram efectivos da polícia civil da ONU a da GNR durante confrontos ocorridos no mercado de Díli, pela segunda vez, numa semana.
Em declarações à Agência Lusa, o comissário português Costa a Souse informou que os incidentes começaram, alegadamente, quando uma jovem tailandesa começou a ser apupada a intimidada no mercado municipal da capital timorense.
Tal como aconteceu há menos de uma semana, dezenas de jovens perseguiram a jovem tailandesa, situação que obrigou à intervenção das forças de segurança. A jovem, que segundo fontes locals namora com um procurador do Tribunal de Díli, conseguiu escapar ao ataque refugiando-se no edifício de telecomunicações localizado próximo do mercado.
Tal como aconteceu no primeiro incidente do género, os jovens tentaram entrar à força no referido edifício.
Este é o segundo caso de uma tentative de quase linchamento público levado a cabo por jovens timorenses que afirmam ester muito descontentes com o vestuário de algumas timorenses a estrangeiras e também com o facto de estas «terem namorados estrangeiros». Costa a Souse referiu não haver relatos de pessoas feridas.

19 de Março de 2001

Confrontos regressam a Díli

Os confrontos regressaram hoje a Díli, onde 14 pessoas foram detidas em Díli, na sequência de conflitos desencadeados num dos bairros Ocidentais da cidade. Os desacatos, segundo fonte local, estão relacionados com questões de dinheiro a terão começado há dois dias, quando mais de uma dezena de casas foi apedrejada.
Em Viqueque a cerca de 200 quilómetros a sudoeste de Díli, depois dos incidentes ocorridos, na semana passada, dos quaffs resultaram dois mortos a dezenas de casas destruídas, a situação “está a voltar à normalidade”, refere um comunicado da ONU.
Este fim-de-semana, a administradora distrital, Ilda Maria de Conceição, promoveu uma campanha de informação alargada para explicar à população da zona o significado da política de “tolerância zero”, que continua em vigor na zona como medida de combate à violência. A campanha abrange cinco sub-distritos de Viqueque e envolve reuniões comunitárias e a distribuição de panfletos e cartazes, bem como a intervenção dos párocos locais durante as missas.
Apesar da situação ter melhorado, a polícia civil da ONU mantém, na zona, dois pelotões das unidades de intervenção rápida da GNR e da polícia jordana, enviados respectivamente de Díli a Baucau.

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